Vidro: uma tendência em joalharia

Atualizado: Jun 25

Conhece as 5 características que fazem do vidro um dos materiais preferidos na joalharia.


  1. O tamanho: esquece as palavras "quilates" e “escasso"

  2. Variedade: a gama do arco-íris ao teu alcance

  3. Dureza: uma vantagem do material no processo de lapidação

  4. Disponibilidade: a garantia de continuidade dos teus projectos

  5. Sustentabilidade: um valor intrínseco


Vivo fascinado pelas pedras preciosas. Adoro que sejam autênticas, naturais, irrepetíveis. Já me declarei fã das esmeraldas e das safiras colombianas, com as quais trabalho todos os dias. Mas neste cenário, há uma verdade inegável: a presença de materiais alternativos na elaboração de joias está a aumentar.


As pedras continuam a reinar no ecossistema da ourivesaria. Inclusive, uma nova geração de designers está a valorizar a existência das inclusões como uma característica definidora, o que dá às pedras um carácter de singularidade. E em meio da "produção em massa", os colecionadores procuram espécimes raros, cheios de cristais, gases, halos e cores, que não podem ser imitados em condições de laboratório.

Do outro lado estão os vidros: na sua maioria unicolores, mas incrivelmente versáteis, variados e ao alcance de todos (e não apenas pelo seu fabrico!). Mas, realmente, o que causou essa crescente demanda pelo vidro na joalharia? Quais são as características desse material que têm-no tornado em um dos favoritos da indústria?


Segue comigo e descobre por que o vidro conseguiu posicionar-se como um elemento favorito no design e na elaboração de joias.


1. O tamanho: esquece as palavras "quilates" e “escasso"


Quando se trata de joias, o tamanho da pedra é importante. Quanto maior a gema, mais rara ela é. E quanto maior e mais escassa é, mais cara se torna.


Vidro para Joalharia em Portugal, Europa. Oscar Bautista lapidador de pedras preciosas.

Mas o tamanho também está relacionado à calibração. Normalmente, busca-se que as pedras estejam calibradas na confecção de anéis sem-fim, ou na cravação pavé e micro-pavé. Por um lado, isso deve-se ao estilo clássico das joias. Pelo outro, a utilização das pedras calibradas em grupos ou na sua totalidade permite que a cor e o brilho sejam distribuídos uniformemente pela peça toda, tornando-a mais atraente e desejável.


Mesmo assim, nem sempre é fácil obter pedras naturais calibradas (claro que estou a falar como joalheiro e não como lapidário). E a calibração depende não só do lapidário, mas também do material a ser cortado: a disponibilidade, a cor, a qualidade.


Vidro para Joalharia em Portugal, Europa. Oscar Bautista lapidador de pedras preciosas.

Fotos: The Sapphire | Vidros lapidados pelo Oscar Bautista


Portanto, quando se trata de tamanho e quantidade, o vidro dá-te pontos a favor. Claro, o tamanho influenciará no seu preço. Mas dificilmente será avaliado como a joia da coroa.


Da mesma forma, a produção e acessibilidade do material dá a possibilidade de realizar cortes calibrados sob pedido, sempre pensando em satisfazer as necessidades planeadas em cada design.



2. Variedade: a gama do arco-íris ao teu alcance


Vidro para Joalharia em Portugal, Europa. Oscar Bautista lapidador de pedras preciosas.

Os vidros são feitos em quase todos os tons possíveis. Claro: isso não te garante que possas ter um PANTONE ou uma cor personalizada. Mas dá-te a liberdade de escolheres entre matizes e saturações. Ficarias surpreendido com quantas combinações podes ter ao usar o vidro.


Um dos atemporais é o fantástico transparente. Vai com todas as ocasiões, com todos os eventos e com todos os outfit e acessórios.


Foto: The Sapphire | Vidros lapidados pelo Oscar Bautista


3. Dureza: uma vantagem do material no processo de lapidação


O vidro tem uma dureza apropriada. É o suficientemente resistente para ser usado em joalharia; portanto, pode ser cravado em uma joia mediante várias técnicas e suportar pressão (claro, não podemos exagerar porque alguns materiais sempre serão mais resistentes do que outros).


Vidro para Joalharia em Portugal, Europa. Oscar Bautista lapidador de pedras preciosas.

Foto: The Sapphire | Vidro lapidado pelo Oscar Bautista


Por outro lado, pode ser lapidado com fluidez. Isto permite que diferentes cortes e designs possam ser criados, respondendo com eficácia às tendências e customizações.


4. Disponibilidade: a garantia de continuidade dos teus projectos


A redução ou falta de material condiciona o desenvolvimento de peças ou coleções de joalharia. Uma das vantagens de trabalhar com vidros é que podes encontrá-los com mais facilidade e em maior quantidade.


Vidro para Joalharia em Portugal, Europa. Oscar Bautista lapidador de pedras preciosas.

Foto: The Sapphire | Vidros lapidados pelo Oscar Bautista


Além disso, de um fragmento grande, podes obter um número considerável de peças que podem ser lapidadas sob medida. Claro, os vidros também se esgotam. Talvez o tom que compraste hoje seja tão incrível que amanhã não haverá mais na loja. Mas, ao contrário das pedras naturais, sempre terás mais opções para obtê-los.


5. Sustentabilidade: um valor intrínseco


A sustentabilidade é um fator que hoje preocupa muitos designers, joalheiros e ourives. Tornou-se imperativo pensarmos sobre o impacto da mineração no meio ambiente e nas comunidades locais.


Embora existam marcas que propendem pelo equilíbrio entre a economia, a sociedade e os ecossistemas, também é verdade que ainda há áreas no mundo prejudicadas por práticas pouco éticas.